Marcel Proust, um dos maiores nomes da literatura mundial, morreu antes de ver completamente publicada sua maior obra, Em busca do tempo perdido, uma história composta por sete volumes, cujos três últimos foram lançados postumamente. A prisioneira, quinto livro da coleção, foi um dos títulos publicados segundo a edição do irmão de Marcel, Robert. Na versão original, nem todos os textos do escritor que compunham o volume foram contemplados, trechos que entraram apenas nas edições mais recentes de sua obra.Relançado no Brasil, A Prisioneira mantém a tradução original feita pelo poeta Manuel Bandeira, junto com Lourdes Sousa de Alencar, para a antiga Globo de Porto Alegre. A revisão dos textos e sua atualização, bem como seu posfácio, ficou a cargo da professora Olgária Matos. O prefácio, as notas e o resumo são assinados pelo professor Guilherme Ignácio da Silva, especialista em Proust.
Neste quinto volume, estão em foco o relacionamento do herói com Albertine, sua amante. Se antes a trajetória do narrador se dava nos aristocráticos salões do Fauburg Saint-Germain, esta história encerra seu foco na vida em comum dos amantes em seu apartamento localizado em Paris. O amor e o ciúme se mesclam ao longo da narrativa de uma relação marcada por possessividades e inseguranças, dos quais ambos os personagens tornam-se prisioneiros.
Proust é uma das estrelas mais brilhantes de uma constelação em que lhe fazem companhia Flaubert, Joyce e Kafka. Foi quem expandiu até o limite as possibilidades prismáticas do parágrafo, ao mesmo tempo em que criava um poderoso instrumento de investigação psicológica, só comparável ao fluxo de consciência de Joyce e às pesquisas de Freud.
Valentin Louis Georges Eugène Marcel Proust (1871—1922) foi um escritor francês, mais conhecido pela sua obra À la recherche du temps perdu (Em Busca do Tempo Perdido), que foi publicada em sete partes entre 1913 e 1927.
Filho de Adrien Proust, um célebre professor de medicina, e Jeanne Weil, alsaciana de origem judaica, Marcel Proust nasceu numa família rica que lhe assegurou uma vida tranquila e lhe permitiu frequentar os salões da alta sociedade da época.
Após estudos no Liceu Condorcet, prestou serviço militar em 1889. Devolvido à vida civil, assistiu na École Libre des Sciences Politiques aos cursos de Albert Sorel e Anatole Leroy-Beaulieu; e na Sorbonne os de Henri Bergson (1859-1941) cuja influência sobre a sua obra será essencial.
Em 1900, efectuou uma viagem a Veneza e se dedica às questões de estética. Em 1904, publicou várias traduções do crítico de arte inglesa John Ruskin (1819-1900). Paralelamente a artigos que relatam a vida mundana publicados nos grandes jornais (entre os quais Le Figaro), escreveu Jean Santeuil, uma grande novela deixada incompleta, e publicou Os Prazeres e os Dias (Les Plaisirs et les Jours), uma reunião de contos e poemas.
Após a morte dos seus pais, a sua saúde já frágil deteriorou-se mais. Ele passou a viver recluso e a esgotar-se no trabalho. A sua obra principal, Em Busca do Tempo Perdido (À la Recherche du Temps Perdu), foi publicada entre 1913 e 1927, o primeiro volume editado à custa do autor na pequena editora Grasset ainda que muito rapidamente as edições Gallimard recuaram na sua recusa e aceitaram o segundo volume À Sombra das Raparigas em Flor pela qual recebeu em 1919 o prêmio Goncourt.
A homossexualidade é tema recorrente em sua obra, principalmente em Sodoma e Gomorra e nos volumes subsequentes. Trabalhou sem repouso à escrita dos seis livros seguintes de Em Busca do Tempo Perdido, até 1922. Faleceu esgotado, acometido por uma bronquite mal cuidada.